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Grandes corporações e startups, aposte na empatia!

Se fôssemos apostar no lugar comum diríamos que grandes corporações veem startups como ameaça. Seguiríamos então afirmando que toda startup quer destruir os modelos de negócio de grandes corporações. Não se deixe guiar por mares rasos. Nessa área vale olhar além e buscar toda a empatia que existe entre esses dois mundos, aparentemente tão distintos. E acredite, a sinergia entre ambas é exponencial.

Vamos começar falando um pouco sobre empatia. Um dos grandes personagens da ficção americana, Atticus Finch, disse uma vez que “você nunca entende uma pessoa até que você considere as coisas do ponto de vista dela”. E Atticus tornou-se um símbolo porque os americanos adoram se ver como ele. Eles se identificam com a perspicácia sensitiva, retidão serena e a sabedoria simples que ele projeta (crédito para o escritor Paulo Nogueira, Revista Época Online, 20/02/2015, em artigo O inesquecível Atticus Finch).

Hoje em dia muito se fala sobre desenvolver e aprimorar o grau de empatia para atingir o sucesso nos negócios, tanto de forma individual como em prol da cultura organizacional. Então o que poderiam fazer aqueles que não se consideram empáticos, ou gostariam de melhorar seu grau de empatia?

Primeiro devemos considerar que a empatia é uma das habilidades, ou qualidades – se preferirmos dizer assim – diretamente ligada à inteligência emocional do ser humano (aquela inteligência que engloba nossa capacidade de construir relacionamentos saudáveis e harmoniosos com as pessoas que convivemos). Ela pode sim, ser desenvolvida e aprimorada.

Neste sentido, corporações e startups podem alcançar a empatia quando agem, de uma maneira consciente, da seguinte forma: mesmo que a empresa tenha uma visão completamente diversa da outra, em vez de seguir direto com sua análise preliminar, é crucial que se pare e escute primeiro, de forma ativa, e ponderar antes de tomar decisões de negócio, sem fazer pré-julgamentos, tendo a capacidade de enxergar sob a perspectiva da outra empresa, procurando estar livre de um ponto de vista isolado, encontrando assim um maior equilíbrio para que os relacionamentos entre estes dois mundos tão distintos sejam melhores, mais assertivos e mais produtivos.

Com uma ideia já bastante clara sobre empatia em mente, voltemos para o mundo de empresas tão diferentes em tamanho e em faturamento, mas tão próximas no ideal de seguir ampliando horizontes.

Nesse universo a empatia já começa com uma constatação bastante interessante: um levantamento da AB Startups aponta que uma parte significante das startups (21%) desenvolve produtos e serviços para outras empresas (modelo de negócio conhecido como B2B). Nesse universo, muitas startups têm nas grandes corporações seus clientes!

Já no universo das grandes corporações, ter fornecedores que utilizam a tecnologia para encurtar processos, reduzir custos ou trazer informações que permitem melhores tomadas de decisão, confere a elas maior competitividade. Quem não precisa ser competitivo nos dias atuais?

E não para por aí. Uma frase atribuída à Viúva Clicquot (a história da fundadora de uma das casas de champagne mais famosas do mundo é contada em A Viúva Clicquot) diz que “temos de inventar o amanhã”. Seguindo essa trilha muitas corporações tradicionais buscam startups para oferecer treinamento e investimento. Muitas dessas startups podem mesmo competir com estas corporações no futuro. É o que fazem, dentre outras, Natura, Google, Microsoft e Itaú.

O Itaú, por exemplo, destinou todo um prédio para este segmento, o Cubo, localizado em São Paulo, é uma das referências mundiais no mercado de startups. Já a Microsoft criou há aproximadamente dois anos, um projeto pelo qual já passaram 5 mil empresas. Os aportes somam até agora 12 milhões de reais.

E o mercado de corporate venture (quando uma grande corporação investe em startups) mal começou: estudos apontam que apenas 50 grandes grupos possuem programas nesse sentido.

E se olharmos na outra ponta, a empatia pode ser a única solução, isso porque toda startup pretende um dia crescer, e muito! Vale lembrar que grandes corporações globais de tecnologia, como o Facebook e a Apple, foram, cada uma a seu tempo, uma startup. Hoje ambas companhias respondem por algumas das principais ações negociadas na Nasdak (Bolsa de Valores norte-americana voltada para tecnologia). A Apple, hoje, tem valor de mercado significativamente maior que uma das maiores montadoras globais de veículos, a Toyota. Qual startup não sonha com isso?

Nota dos autores:

A co-autora Fernanda Alem é originalmente Advogada (LL.M., B.U. Law), Consultora (D.C. Bar), e atua como Professional & Life Coach (ICI/ICF) – Leadership Career Specialist, com mais de 20 anos de prática Brasil-EUA. Atualmente auxilia indivíduos e organizações a maximizarem o seu potencial de crescimento através de melhores práticas integradas e ferramentas inovadoras em Coaching, Mindfulness e treinamentos de Liderança, com uma abordagem proativa, flexível e consciente, IN and OUT of LAW.

Leandro Netto é sócio responsável pela área de tecnologia e inovação no escritório Lima Júnior, Domene e Advogados Associados. Possui formação na Univesté Paris II e mo Insper.

Veja mais artigos também em www.limajr.com.br

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