IT Forum 365
conference-room-768441_960_720

Tecnologia nos Conselhos de Administração

É no conselho de administração das empresas, sobretudo naquelas de maior porte e com maior poder de influência na economia, que o rumo de negócios estratégicos são definidos e passados para os presidentes e diretores. Em plena quarta revolução industrial, não é chegada a hora de profissionais de tecnologia terem em regra um lugar nos conselhos?

Quando o tema tecnologia é abordado em empresas que são tecnológicas e naquelas que estão em transformação digital, um nome sempre vem à tona, o CIO (sigla da expressão Chief Information Officer).  O chefe da área de informação, também chamada de TI, tem destaque quando o mundo digital vem à tona.

Já no passado, com o nascimento da chamada terceira revolução industrial, a tecnologia passou a ter destaque com o advento dos computadores e com o nascimento da internet. Hoje percebemos que este foi apenas o terreno fértil que deu origem à atual quarta revolução industrial, que já reconhece a quase onipresença da maquina conectada e interconectada, da inteligência artificial, da avalanche de dados e de tantos outros elementos que definitiva e irreversivelmente colocam a tecnologia em uma posição de destaque para decisões cada vez mais estratégicas.

Mesmo empresas de segmentos tradicionais como o agrícola estão em transformação e hoje dependem da tecnologia para o ganho de escala, para o controle de dados sobre o plantio, a irrigação e o emprego de defensivos. Geramos dados sobre tudo e em todos os lugares e, acredite, estamos apenas começando.  E quando o assunto são dados, o CIO ima vez mais ganha protagonismo.

Há, ainda, uma segunda palavra que vem à tona quando o assunto é tecnologia: inovação. Identificamos uma enorme simbiose entre tecnologia e inovação, tornando-as quase indissociáveis, embora independentes. Quando imaginamos os computadores dos anos oitenta e os comparamos com os atuais, logo concluímos que CIO também pode ser a sigla de Chief Innovation Officer. Em sua área, equipamentos que hoje são extremamente eficientes amanhã já fazem parte do passado. Não por acaso os CIOs que sobrevivem ao mercado seguem se reinventando e talvez por isso estejam mais abertos a conceitos como o de resiliência.

Hoje, os demais executivos de uma empresa que compõem o C-Level não podem ignorar, em nenhuma área da economia, os conselhos e decisões compartilhadas com o CIO. Até porque na economia 4.0 a tecnologia é o caminho de quase tudo e ser eficiente tecnologicamente poderá ser questão de sobrevivência, e não de mera competitividade.

Se incluímos nesse caldeirão de elementos as startups, aí o lugar dos homens de tecnologia torna-se fundamental. É usualmente nas mãos e mente do sócio de responsável por tecnologia que o sonho da startup começa a ganhar traços de realidade. Essas startups um dia serão grandes conglomerados (ainda que poucas sejam unicórnios) e o conselho de administração dessas empresas terá a tecnologia e homens de tecnologia na sua base.

Quando somamos todas as constatações acima, que há anos deixaram de ser projeção para ocupar a realidade, vemos no executivo de tecnologia um papel decisivo nos conselhos de administração de empresas digitais nativas e também em todas aquelas que se pretendem perenes nos próximos anos e décadas.

Leandro Netto, sócio do escritório Lima Júnior, Domene e Advogados Associados na área de Tecnologia e Inovação. Possui LL.M em direito dos contratos pelo Insper e é especialista em direito empresarial internacional pela Université Paris II.

Comentários

Notícias Relacionadas

IT Mídia S.A.

Copyright 2016 IT Mídia S.A. Todos os direitos reservados.