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Trabalha num setor tradicional? Sua atuação, e empresa, não estão livres da quarta revolução industrial

Já passamos por algumas revoluções na maneira como produzimos coisas. A primeira de ordem industrial foi trazida pelas máquinas a vapor em meados do século XVIII. Já a segunda delas impulsionou a produção e o consumo: foi a revolução trazida pela eletricidade no início do século XX. A terceira surgiu no final do mesmo século com o advento dos computadores e com o início das ferramentas digitais. É meu amigo, a humanidade tem pisado no acelerador das mudanças. Poderíamos aqui iniciar agora um tratado sobre a modernidade líquida, abordada pelo sociólogo Zigman Bauman, mas focaremos num dos principais motores dessa sociedade, a quarta revolução industrial, que ainda tomará conta de sua vida profissional.

Mas afinal, o que é a quarta revolução industrial? É a revolução que tem acontecido agora, frente aos seus olhos. É a transformação que nos aproxima daquela visão futurista da série de desenhos animados “Os Jetsons”. Nessa série vemos chamadas telefônicas convertidas em imagens que são refletidas em televisores finos. Vemos carros conduzidos sem motoristas, temos robôs assumindo tarefas domésticas. Espere aí, não é exatamente o que vemos hoje?!

 Como no desenho, vemos a virtualização de quase tudo. A realidade é convertida em dados e máquinas com inteligência artificial são somadas à crescente coleta de informação em tudo e em todos os lugares.

E o que vai ocorrer com você? Tenha certeza de uma coisa: em até duas décadas carreiras consolidadas desaparecerão. Muitas delas serão ocupadas por máquinas, softwares ou não mais terão função. Um estudo de Oxford aponta que profissões como a de operadores de telemarketing, secretários, entregadores e corretores têm grande chance de desaparecer ou de passar por drásticas mudanças.

Possivelmente drones entregarão nossas pizzas e navios sem tripulação atravessarão os oceanos transportando commodities. Ser atendido por um bancário será algo tão estranho para as futuras gerações como a internet discada o é para a atual geração do milênio.

Se o trabalho está mudando, o impacto nas empresas não será de menor intensidade. Serviços e produtos surgirão enquanto outros desaparecerão. Empresas embasadas em tecnologia alcançam grande faturamento em período de tempo cada vez menor (o Google, por exemplo, chegou no seu primeiro bilhão/ano em cinco anos).  Já empresas como Kodak e tantas outras sucumbem às novas tecnologias.

Compras online na China mostram a força da virtualização dos mercados: um dia de promoções no Alibaba movimentou transações de US$ 14 bilhões. A Amazon e seu poder de mercado mostram que logo pequenas lojas locais poderão perder em escala e preço. Algumas desaparecerão. Em contrapartida, pessoas nos mais remotos lugares poderão comprar em seus smartphones produtos nunca antes oferecidos naqueles rincões.

Mesmo o campo vem sendo invadido pela tecnologia. Coleta de dados, máquinas inteligentes e irrigações computadorizadas tornarão lavoras mais competitivas, ajudando na alimentação da nossa crescente população global.

Diretores e donos de empresas tendem a tomar decisões cada vez mais pautadas em um volume gigantesco de dados, em mercados cada vez mais complexos.  Quantas dessas coletas seguiram regras claras de competição e de privacidade?

E os desafios seguem. Você já imaginou se o produto hoje comercializado pela sua empresa não poderá, amanhã, ser feito na casa do consumidor, por uma impressora 3D?

Todo o novo cenário trazido pela quarta revolução demonstra que mudanças são inevitáveis. Inovar para adaptar-se é hoje tão relevante quanto ter uma atividade lucrativa.

Dessa nova realidade nasce um risco apontado por Klaus Schwab no seu livro “A quarta revolução industrial”: o quadro institucional existente nos países e globalmente é na melhor das hipóteses inadequado às inovações e rupturas que estão por vir.

Rich Sauer (Microsoft), em artigo escrito para o International In-house Counsel Journal, bem alertou que os serviços de cloud computing crescem e circulam globalmente enquanto as regras de privacidade e dados seguem sendo locais e diferentes em cada país.

 Se não é possível prever como as sociedades, empresas e instituições reagirão a tantas e tão rápidas mudanças, é igualmente inevitável que você esteja preparado para esta nova realidade, uma realidade que impactará não apenas seu trabalho como também, e sobretudo, sua vida.

Leandro Netto, sócio do escritório Lima Júnior, Domene e Advogados Associados na área de Tecnologia e Inovação. Possui LL.M em direito dos contratos pelo Insper e é especialista em direito empresarial internacional pela Université Paris II.

Veja mais artigos também em www.limajr.com.br

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